autor redimensionadoDaniel Oliveira Costa é promessa na poesia contemporânea, com sua estreia lançada em livro no início de julho, pela Editora Jaguatirica. Cartas fraternas e outros poemas é uma obra intensa e irreverente. Os versos daquele que é também professor universitário e economista, residente em Campinas, empurram-nos para um feitiço palpável, embrulhado nas suas bandeiras ideológicas e no seu inconformismo latente, num exercício de liberdade e simultaneamente de leveza.

O Boletim Leituras procurou conhecer um pouco mais do que está por detrás da primeira obra do jovem autor, de suas inspirações e aspirações.

 

Este é o seu primeiro livro de poesia e você, apesar de jovem, é professor universitário e economista. Quando e de onde surgiu essa veia de poeta? 

Eu tenho um amigo uruguaio que palpita que quando a razão já não dá conta, só a mística e o sentimento para arrancar esperança de onde der. Então, na falta de uma resposta melhor, se é que a veia existe, veio por desalento.

Podemos dizer que esta foi a primeira de muitas obras de poesia?

Acho que sim, é um desejo. E, até agora, ninguém ficou tão desgostoso ao ponto de me ameaçar para que eu nunca mais faça uma coisa dessas. Então, é possível.

Quais as maiores influências, estrangeiras e nacionais, de outros poetas e autores no seu trabalho?

Eu gosto de muitos poetas. Mas falar em influências talvez seja muito pretensioso para mim, dados os limites do meu trabalho. Contudo, falando pretensiosamente, em alguma medida, em Ariano Suassuna e Allen Ginsberg, eu me supri de algumas permissões para o uso do imaginário. E os dois, embora contemporâneos, são representantes de projetos estéticos inconciliáveis. O que sugere um ecletismo espúrio da minha parte. Crítica, aliás, que já foi dirigida à poesia contemporânea em geral, principalmente nos comentários da Profª Iumna Simón.

Você acompanha o trabalho de outros jovens poetas da sua geração? 

Sim. Particularmente, tenho lido e relido o Cássio Corrêa como uma prece (pentespraticos.wordpress.com). O Jeff Vasques, além de escrever, faz tradução de poesia de luta, principalmente latino-americana, e tem um acervo enorme em: eupassarin.wordpress.com. Eu também gostava muito de uma escritora finíssima chamada Rafaella Meigger (meapanhenocenteio.wordpress.com), mas não sei se ela ainda tem publicado. Acho que os livros só podem ser comprados diretamente com eles.

Quais as principais inspirações para Cartas fraternas e outros poemas?

Possivelmente, a sensação de não saber o que está acontecendo com a vida, nem para que lado ela vai, e a intuição de não poder descansar onde se está seguro. Mas não sei dizer com certeza.

No universo literário brasileiro, com poucos leitores e talvez menos ainda de poesia, quais você considera que são os maiores desafios para jovens poetas como você?

Acho que um dos desafios diz respeito à organização de uma cena literária. Apesar da internet e das editoras independentes, o espaço cultural da literatura – como o de outras artes – se organiza como um mercado, conservador frente à mudança, altamente concentrado e centralizado. E me parece que, fora dele, há um enorme campo de dispersão, insuficiente para articular escritores, público e críticos em um contexto de troca de ideias e inter-referências que, penso, é importante para sofisticação (ou, muito mais pretensiosamente, definição) estética na geração. Nesse sentido, acho importante um esforço para organizar espaços e veículos literários, bem como defender o espaço da arte como herança cultural dentro das escolas. A tarefa que nos desafia, talvez, seja a de sermos ativistas da cultura, em geral, e da educação, em particular. O Renan Inquérito tem uma iniciativa muito legal com saraus no interior de São Paulo.

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