Sente-se, com um papel ou um computador, e comece.

É simples assim. Encontrar um lugar, encontrar um horário, dentro de suas possibilidades, usando o que existe ao seu alcance: até Aristóteles escrevia.

No entanto, há que discernir e organizar os diversos tipos textuais: você escreverá para si mesmo, escreverá para os outros, e escreverá a obra que você sente necessidade de compartilhar com o mundo, que é a sua urgência. Mas essas são três instâncias completamente diferentes e que merecem ser tratadas de tal modo.

Carlos Drummond de Andrade elaborava seus livros de poesia, sim, mas isso não o impedia de escrever as suas crônicas diárias, além de outros textos que deixava guardados inéditos e cartas que trocava com seus contemporâneos. Cada escrito com sua finalidade.

E Drummond sequer tinha um blog ou um site, para testar e aprimorar seu trabalho, ou para sentir o retorno do público.Vinícius de Moraes não encaminhava boletins, spams, newsletters, nada disso. Ele escrevia e guardava, até que achasse a hora e o meio adequado para publicar, fosse em livro, em música, ou num texto jornalístico qualquer.

Só aí, os escritores de hoje levam enorme vantagem, pois já têm uma grande ferramenta à disposição, não para incomodar os outros ou rechear a internet de assuntos de menor importância – muito embora vários se dediquem a isso – mas abriu-se um laboratório completo de desenvolvimento pessoal e profissional, que pode fazer a diferença entre um escritor bem-sucedido e outro nem tanto. Aliás, blogs, sites e redes sociais serão assuntos abordados em um outro item do GuiadoEscritor.com.

Num segundo momento, após o ofício da escrita, é preciso adquirir um olhar crítico sobre o que se escreveu. E começar a cortar o que não presta. Esse será o primeiro crivo: a leitura do próprio autor. Se possível, em voz alta.

Júlio Dantas, um poeta português, afirmou com propriedade: “O que é mais difícil não é escrever muito; é dizer tudo, escrevendo pouco” e Clarice Lispector, em sua genialidade singular, nos deu a medida do que deve ser cortado: “Já que se há de escrever, que pelo menos não se esmaguem com palavras as entrelinhas”.

Sim, o texto deve poder respirar, deve permitir ao leitor a surpresa, a curiosidade, a comiseração, a alegria. São os sentimentos que os leitores procuram. E isso não é feito com um texto explicado aos mínimos detalhes, exposto como uma mosca azul dissecada (e aí lembro o conto de Machado de Assis, “A mosca azul”) pois, de tal forma, teríamos um trabalho acadêmico de não-ficção.

Deixe a desconstrução do texto a cargo de críticos, acadêmicos, jornalistas e estudiosos, e ocupe-se em aprimorar seu estilo, sua técnica, enquanto em paralelo se permita aprofundar em leituras e estudos sobre os assuntos de sua preferência.

Assim que puder reunir um bom número de textos e notar que já escreve com certa desenvoltura, de forma organizada e sistêmica, é hora de pô-los à prova. E seguir em frente, arriscando um novo passo.

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Paula Cajaty
Escritora, editora, poeta e crítica literária. Nasceu no Rio de Janeiro e publicou "Afrodite in verso" e "Sexo Tempo e Poesia" em 2008 e 2010, além de participações em antologias e coletâneas. Criou o boletim Leituras em 2007 e publicou mais de 154 edições até o início de 2014, quando conheceu a Dani Fernandes.

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