Enquanto ELA não chega. A resposta. A carta da editora. A revisão do editor.  O parecer do leitor crítico. Tudo isso demora e, para quem está ansioso, a demora se arrasta pelos segundos,  sufoca como se a mão forte do relógio pudesse espremer os pulmões.

Isso é o absolutamente nocivo à saúde e geralmente faz o escritor correr para tomar um chope, ou um trago de  uísque. Para relaxar, para descolar os ombros do pescoço. Sei como é.

Bem, se puder, não faça isso!

Deixe o chope e o uísque para comemorar a resposta, a carta na sua caixa de correio, o email informando que o livro já está na gráfica.

Há várias coisas que o escritor pode fazer enquanto espera. Além de escrever mais, claro. Tente passear ao ar livre (considerando que já esteve muito tempo enfurnado entre uma cadeira e o teclado), brincar com animais, ver filmes clássicos, namorar, ir à praia, arrumar a casa, brincar de forca e jogo da velha com as crianças, planejar uma viagem para o ano seguinte, fazer um mousse de chocolate com suspiro e chocolate amargo, organizar fotos antigas, navegar pelos lançamentos musicais na Amazon e ouvir todos os tracks disponíveis, fazer um curso de férias, de culinária, espanhol ou francês,  comprar um livro de origamis e mandalas para dobrar e colorir, atualizar sites e blogs, escrever tudo aquilo que absolutamente não tem nada a ver contigo (mas que é divertido à beça fazer), fotografar no zoológico, ou descobrir a receita infalível para o melhor risoto de camarão ao vinho que você jamais provou.

E se a resposta chegar e você vir o polegar de César virado para baixo? Sim, isso pode acontecer e a gente solta um suspiro do tamanho do mar. Aí, lembre-se do Plano B. Do Plano C. Do Plano D… e se ou quando acabarem os planos, invente outros.

Porque você não vai jogar fora tudo aquilo em que você acredita. Porque você chegou ao ‘point of no return’, e nada do que se diga vai te demover da ideia, do tema, da esperança.

Ainda bem que é assim.

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Paula Cajaty
Escritora, editora, poeta e crítica literária. Nasceu no Rio de Janeiro e publicou "Afrodite in verso" e "Sexo Tempo e Poesia" em 2008 e 2010, além de participações em antologias e coletâneas. Criou o boletim Leituras em 2007 e publicou mais de 154 edições até o início de 2014, quando conheceu a Dani Fernandes.

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