A primeira coisa: editoras não existem à toa, nem existem para publicar livros de um pequeno grupinho incompetente. Lembre-se que, quando há dinheiro envolvido, não há espaço para incompetências.

Cabe a uma editora (ou, casa editorial) de livros a reunião de elementos para eleger, organizar e coordenar a publicação de obras literárias.

Isso não é uma atividade sem importância, tendo-se em conta que elas fazem uma triagem do que há de melhor sendo escrito no mercado, escolhendo quem são as pessoas de maior confiabilidade em sua área de trabalho e as que têm as maiores habilidades na formação da opinião pública, ou ainda as mais aptas ao entretenimento de um determinado público-alvo.

Normalmente, as editoras buscam uma especialização em tipo de publicação e área, pois é uma atividade muito dispendiosa, que envolve, fundamentalmente, a leitura de milhares de originais, e sua seleção criteriosa, bem como a atualização dos seus profissionais com as informações quentes do mercado literário.

É exatamente a editora que, em tese, se incumbe da produção, divulgação e distribuição do livro. Faz isso através da contratação de alguns profissionais (a equipe editorial) e, geralmente, com a terceirização de cada um desses serviços já que todos eles são complexos e se regem por uma disciplina própria.

Buscar uma editora que aceite publicar seu livro é o primeiro passo – e o mais seguro – para uma edição bem-sucedida, pois é a intermediária mais confiável entre leitores e autores.

Ocorre que as coisas não acontecem com facilidade.

Uma editora é também uma casa comercial, que depende de dinheiro e enfrenta todos os riscos e flutuações de mercado. Aliás, um mercado complexo, pois é mais fácil vender água, café e pão de queijo numa mega-livraria do que algum livro (dentre milhares), propriamente.

Para reduzir os riscos, as editoras atuam de forma conservadora o que, por exemplo, já fez com que várias editoras perdessem grandes chances de encher o cofre, como a lendária história da editora que não apostou na saga de Harry Potter e perdeu de figurar 10 (dez) anos seguidos no topo das vendas de livros.

O mercado editorial é, pois, uma engrenagem intrincada e que possui um equilíbrio muito fugidio. Não é por outro motivo que editoras abrem e fecham, com a mesma facilidade que outros negócios mal-concebidos e mal-geridos. Felizmente, o mercado está aquecido e em expansão desde 1994, quando houve um boomliterário, precisamente quando a moeda se estabilizou e se iniciaram diversas políticas de redistribuição de renda e incentivo à educação e à leitura.

Mas há a real possibilidade de um autor, com seu livro debaixo do braço, enviar vários originais para as editoras certas, e essas sequer responderem aceitando, ou não, o desafio. Ou o risco de se ouvir uma resposta negativa, o que também é muito decepcionante.

Nesse caso, se o autor confia no seu potencial e sabe a dificuldade de furar o bloqueio imposto por essa ‘censura’ mercadológica, se o autor tem tanta fé em seu trabalho que não esmorecerá nos tantos espinhos desse caminho, caberá a ele buscar novos recursos para realizar seu intento.

Terá à sua disposição algumas opções, como por exemplo as seguintes: (a) edições compartilhadas; (b) edição do autor; (c) meio virtual, organizados por grau de dispêndio.Vejamos essas três hipóteses.

No primeiro caso, as edições compartilhadas são caras, mas há quem considere que vale o esforço. O autor recém-lançado recebe o selo da editora e apresenta um trabalho de melhor qualidade e a editora transfere parte do risco de seu negócio para o autor. Se o autor possui condições de pagar e aceita vender parte da produção, é a melhor saída, pois se beneficia de toda a rede de suporte profissional que trabalha para a editora. No entanto, há quem não concorde com essa opção, pois a editora, em tese, poderia perder o interesse na divulgação e na venda do trabalho de seu autor-pagante, uma vez que não possui estoque de livros para desaguar no mercado (quem faz isso é o próprio escritor, que leva os pacotes para casa).

A segunda hipótese é bem mais em conta. No entanto, o problema da divulgação permanece e, além desse, somam-se outros, como a provável incapacidade do autor em se tornar, em tempo recorde, editor, revisor, diagramador, ilustrador, capista, divulgador, despachante, distribuidor, vendedor, assessor de imprensa, projetista, (ufa!) etc etc. Além disso, para o escritor, como pessoa física que é, os custos da gráfica sempre encarecem.

O terceiro e último caminho é, digamos, um modelo experimental. Conteúdo onlinese multiplica avassaladoramente e em tempo recorde e já existem vários programas e instrumentos de alta tecnologia que permitem ao escritor divulgar sua obra, mesmo que ela não esteja fisicamente impressa. Tais ferramentas, mesmo quando não usadas para a publicação do livro, propriamente, são imprescindíveis para a divulgação do autor, como se verá adiante.

Essas tecnologias são de fato excelentes, especialmente num mundo informatizado como o nosso. No entanto, o escritor se perde um pouco nesse mar de bytes, e ainda passa por dificuldades no registro de seus direitos autorais e na cobrança para o fornecimento de seu conteúdo – normalmente fruto de muito estudo, trabalho, dedicação e tempo -, pois, via de regra, conteúdo virtual é gratuito.

Pelo que se pode notar, há quatro opções viáveis para a publicação de um livro e todas elas apresentam prós e contras.

Tudo irá depender, portanto, da pretensão do escritor, da sua capacidade financeira, e, claro, do perfil do autor e do conteúdo da sua obra.

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Paula Cajaty
Escritora, editora, poeta e crítica literária. Nasceu no Rio de Janeiro e publicou "Afrodite in verso" e "Sexo Tempo e Poesia" em 2008 e 2010, além de participações em antologias e coletâneas. Criou o boletim Leituras em 2007 e publicou mais de 154 edições até o início de 2014, quando conheceu a Dani Fernandes.

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