Só o escritor interessado pode interessar. – Oswald de Andrade (1890 – 1954)

A equação é bem simples: se você não aparece em lugar nenhum, se você não faz nada relevante, se você não desenvolve um trabalho, como pretende seduzir um editor a publicar seu trabalho? Como pretende seduzir leitores para que leiam o que você tem a dizer?

Não basta fazer um curso de graduação qualquer, ganhar o canudo, e acreditar que isso lhe dará um passaporte para furar a fila das diversas pessoas que estão no showbiz. Não adianta fazer dois anos de oficinas literárias e acreditar que agora você decola.

Não decola. Aterrissa.

Além de escrever bem, seu trabalho deve ser consistente e notório sobre algum tema – justo aquele tema previamente escolhido no momento em que se tem a ideia da Visão da Obra.

Assim, em pouco tempo, você descobre que não basta escrever seu texto e entregar tudo nas portarias das editoras, ou para os famosos emails contato@, originais@ e editora@.

Isso acontece porque, como em qualquer proposal (proposta editorial), nem sempre o texto é o que mais importa. Importa, sim, mas importa mais do que isso quem você é, o que faz, por que faz, e por qual razão o leitor deve se interessar por comprar o seu livro, e não o do seu concorrente, seja você um psicólogo, um endocrinologista, ou até mesmo um romancista.

É preciso investir naquela palavrinha que está presente em tudo o que se faz, desde posts no Facebook até investir em um site para expor o seu trabalho: o Marketing.

Não defendo, nunca, o marketing dissociado do conteúdo. Seria como vender um peixe estragado: se você vende um perfil que você não tem, propagandeia um livro como a oitava maravilha do mundo e ele é péssimo, o cliente nunca mais voltará à sua banca. O marketing para o escritor precisa ser verdadeiro, sem ser excessivo, precisa ser inteligente, sem ser enigmático, precisa ser talhado especialmente para esse meio peculiar, formado por escritores, críticos, acadêmicos e por pessoas comuns também. Todos esses leitores são muito sensíveis e, como um cardume, podem adorar ou odiar o seu trabalho, ou a sua pessoa.

Então, o que viria a ser despertar interesse? E como fazer isso?

A primeira atitude deve ser desenvolver o seu interesse sobre o que acontece à sua volta. Observar tudo, de forma crítica, e por algum tempo, e ter opiniões inteligentes formadas a partir dessa observação crítica, é sempre um bom começo. Neste ponto, não se afobe: é claro que jovens escritores acham que têm ideias revolucionárias e que todos os que estavam nesse meio antes dele não sabem nada. No entanto, apesar da inovação ser algo importante, deve ser implantada de forma gradual, adequando-a à ampla experiência dos mais antigos no métier.

Para entrar no clima, se você é da área dos livros de ficção, vale acompanhar o PublishNews, o Digestivo Cultural, os periódicos literários (ou quase-literários) RascunhoPiauíSerrote, e, claro, os boletins eletrônicos como o Leituras (uhuuu!!) e tantos outros que rodam na internet, especialmente os que circulem na sua região, ou que se afinem com o seu segmento literário-editorial.

A segunda atitude é estar presente. Isso não significa virar arroz de festa e aparecer marcado em todas as fotografias de eventos no Facebook. Esteja presente naquilo que tem a ver com o seu trabalho, naquilo que mais te influencia, te seduz, e te encanta. Interagir com os profissionais que trabalham no mesmo segmento que o seu também pode ser estimulante, muito embora alguma competição se estabeleça. Nesse caso, faça com que a competição se torne algo saudável e criativo, sem alimentar sentimentos de raiva, ciúme ou humilhação. Escrever é um jogo, e você geralmente vai perder mais vezes do que ganhar – o que fará do prêmio algo ainda mais delicioso. Organizar eventos também é uma ótima ideia, especialmente em cidades menores e charmosas, que tornam a experiência literária uma criação coletiva da própria cidade (não é à toa que estão pipocando as feiras literárias em pequenos municípios).

Então, a dica para despertar interesse é: mexa-se. Crie seu blog, distribua conteúdos relevantes para seus amigos e colaboradores, participe de coletâneas, vá às feiras de literatura, matricule-se em cursos, promova encontros, conheça autores, editores, organizadores e toda a rede de pessoas bacanas que trabalha no mercado de literatura e especificamente no seu segmento – seja lá ele de livros religiosos, auto-ajuda, terapias holísticas, biografias, ficção ou infantil.

Por último: despertar interesse é também saber manter um mistério. Seja sobre a sua pessoa, seja sobre seu novo trabalho. Se você quiser despertar o interesse do seu público, e jogar o pdf do seu livro na internet, ou escrever e publicar tudinho no seu blog, certamente os curiosos ficarão tão satisfeitos com sua produção intelectual e a facilidade desse acesso, que não vão se incomodar de pagar por mais nada do que você escreva. Estamos na era do domínio dos fãs, o fandom, e para isso, suspense é fundamental.

Antes de terminar esse post, eu abro um parêntese: é óbvio que convites gratuitos para participações, ou mesmo convites para antologias compartilhadas (caindo com o $$) são o que mais existe na rede. E eu realmente acredito que o trabalho gratuito perde em credibilidade e valor. Mas seria uma bobagem eu dizer para ninguém fazer isso, porque eu mesma faço. E adoro fazer: faço grátis para meus amigos, para quem eu admiro, e para os projetos e pessoas em que eu acredito. Mas é só.

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Paula Cajaty
Escritora, editora, poeta e crítica literária. Nasceu no Rio de Janeiro e publicou "Afrodite in verso" e "Sexo Tempo e Poesia" em 2008 e 2010, além de participações em antologias e coletâneas. Criou o boletim Leituras em 2007 e publicou mais de 154 edições até o início de 2014, quando conheceu a Dani Fernandes.

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