“Desiludir-se é o primeiro passo para a literatura. Abdicar dos encantos e das fantasias, desistir de ‘vir a ser’ – grande, genial, impecável – para simplesmente ser.”  –José Castello, in Prosa&Verso, Jornal O Globo, 14.02.2009.

Escrever não é, de fato, sentar-se à frente de uma folha ou tela em branco, e contar a vida com floreios numa linguagem semi-poética que se arrogue literária. A isso se chama solipsismo, idéia filosófica decorrente do niilismo e são verdadeiros perigos que se põem à boa literatura1. Ante a essa constatação, nenhum argumento racional resiste, bastando confrontar os escritos de blogs com a literatura clássica e moderna universal.

Escrever também não é um trabalho que resulte em pagamento de salário ao final do primeiro mês, após terminada a primeira linha escrita. É um trabalho em geral não remunerado ou, na melhor das hipóteses, mal remunerado, à exceção óbvia dos autores dos best-sellers internacionais. Desta forma, o aspirante a escritor já deve ter uma outra alternativa à sua manutenção, antes que se dedique à arqueologia das palavras.

1 Todorov, Tzvetan. A literatura em perigo. Rio de Janeiro: DIFEL, 2009.

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Paula Cajaty
Escritora, editora, poeta e crítica literária. Nasceu no Rio de Janeiro e publicou "Afrodite in verso" e "Sexo Tempo e Poesia" em 2008 e 2010, além de participações em antologias e coletâneas. Criou o boletim Leituras em 2007 e publicou mais de 154 edições até o início de 2014, quando conheceu a Dani Fernandes.

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